Você que é biólogo...

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30 março 2008

Deu na CBN, de novo

Dar entrevista é bacana. Eu que sou um árduo defensor do cientista pop, fico feliz quando a imprensa se interessa por um determinado trabalho do laboratório. Mesmo que a entrevista seja às 6:40h da manhã.

Duas semanas atrás a assessora de imprensa do IBQm, veio no laboratório conversar com a gente sobre os projetos em andamento e preparou um release sobre o trabalho do Diogo. Ele está estudando no mestrado mecanismos de detoxificação de metais pesados nos camarões cultivados no Nordeste. Até agora, descobrimos que os camarões não utilizam as mesmas estratégias de descontaminação que a maior parte dos invertebrados marinhos. Mas descobrimos também a alta contaminação das rações por metais pesados. Várias marcas de ração, vários lotes da mesma marca, todos tinham concentrações de Mercúrio (Hg) , muito além do residual. Isso não é bom.

O Hg, claro, vai para nos tecidos do camarão. As concentrações ainda não são alarmantes (5% do valor máximo permitido por lei). Quer dizer, não são alarmantes para o consumo humano. Já para os camarões, isso é um problema. Nossa hipótese é que eles gastam tanta energia pra se livrar do Hg, que não sobra nada para crescer. Isso é ruim para o produtor, já que 70% do custo do cultivo é ração, que acaba sendo desperdiçada com animais que estão se descontaminando e não crescem.

As 6h parei tudo, dei uma olhada na versão da tese, revi os valores permitidos pela legislação. Dar entrevista ao vivo não é fácil. Inclusive por isso não deixei o Diogo falar. Cinco de cada oito palavras que ele fala são gíria. Dessas, 3 são conhecidas apenas pela rapaziada do Grajau. Não dava pra sair na CBN. Fiz algumas anotações para me livrar de um possível 'branco' e fiquei esperando o telefone tocar.

Você pode ouvir a conversa com o Heródoto Barbeiro aqui. Achei que ele tentou ser mais contundente do que os meus resultados realmente permitiam. Mas essa não é sempre a questão entre cientistas e jornalistas?

03 agosto 2006

Água mineral verde?

Existe um princípio em ciência que é o da simplicidade: Se existe mais de uma explicação para um fenômeno, a mais simples é sempre a verdadeira (isso tem a ver com a 2a lei da termodinâmica, mas podemos deixar isso para outro texto).

Outro dia me perguntaram, por que a água mineral do meu garrafão fica verde?

Segundo o revendedor, seria por causa do sol, na área onde os garrfões ficariam guardados. É verdade, o sol poderia 'despertar' as algas que estão na água. Peraí... mas tem algas ná água potável? Não deveria ter!

Bom, essas algas só poderiam se reproduzir se tivessem nutrientes. Principalmente P (fósforo) e N (nitrogênio) que são altamente limitantes em condições normais. Em geral, eles deixam de ser limitantes quando a água está, digamos, suja. Na verdade contaminada com esgoto doméstico (que pode ser representado pelos coliformes fecais). Peraí... á água mineral é suja? Não deveria ser!

Pode ser que alguma confluência de fenomenos complexos faça a sua água mineral ficar verde. Mas o mais provável, é que essa fonte seja uma porcaria.

Quem me perguntou comprou água de uma outra fonte, e ela nunca mais ficou verde!